Olá
O Natal chegou mais cedo este ano, ou foi o ano que passou muito rápido? Aliás, é o que muitas pessoas têm comentado sobre o tempo, que ele ultimamente caminha em ritmo acelerado.
Uma amiga minha questiona se isso tem a ver com a idade. Na impressão dela, tudo tende a passar mais depressa depois de algumas decadas. Sei não.
Os jovens também tem reclamado que o tempo deles já não é mais infinito.
Para muitas pessoas este foi um ano fácil, um ano comum, tranqüilo, sem complicações, um ano até de ganhos. Para outras, no entanto, foi um ano difícil, incomum, intranqüilo, complicado. Um ano de perdas e de acomodação a uma nova realidade.
Digo isto sem receio de errar porque eu escrevo para um público feito de pacientes e familiares que travam uma luta diária com doenças, e digo doenças porque as do corpo, inevitavelmente, mexem nas da alma. Não dá para ser dois nestas horas, estar mal por um lado e bem de outro. A gente é um pacote humano só.
No entanto, nesta época em que se comemora o nascimento de Cristo e o término de outro ano, as coisas da alma costumam ficar mais em evidência, sem ter muito a ver com o que se passa com o corpo. É que a saudade se torna o mais luminoso ornamento que enfeita os nossos corações.
Fica difícil escutar “noite feliz, noite feliz, ó senhor, Deus do amor, pobrezinho nasceu em Belém” sem projetar em nossa tela mental filmes antigos, filmes de outras árvores enfeitadas, outras correrias pelas lojas, outras listas de presentes, outros panetones, outras ceias. Filmes que passam, dentre estes e tantos outros detalhes, abraços que não teremos mais, abraços que não daremos mais.
Saudade é um sentimento difícil de definir. A palavra tem origem no latim solitatem, solidão, é um privilégio da língua portuguesa, mas aquilo que constitui a sua essência - a ausência - e o efeito que dela advém - a tristeza - são universais.
Pedro Almodóvar escreveu:- “quando saio à rua, no sábado, percebo que o dia está muito ensolarado. É o primeiro dia de sol sem minha mãe. Por trás dos óculos, eu choro. No decorrer do dia chorarei muitas vezes”.
Poetisado por Iran DiValencia, fica assim: - “Saudade é o amor ausente. Saudade é o passado em visita ao coração no presente”.
Creio que essa é uma visita comum a todos uma vez que todos têm passado. Uma visita que sempre quer conversar sobre que não temos mais, não vemos mais, não tocamos mais o que antes tínhamos, víamos, tocávamos.
Ela traz na bagagem lembranças cheias de detalhes impecáveis que brincam com a nossa memória. Eu, por exemplo, enquanto escrevo, lembro de minha afobação para dar conta de tudo o que precisava fazer, sem esquecer de nada, a fim de pegar logo a estrada a caminho de um natal que seria especial por várias razões. Uma delas, a impressão de que seria o último junto a um irmão. Pois bem, ainda no começo da viagem, mas já distante o suficiente para não voltar, constatei que havia deixado em casa todos os presentes escondidos em um saco embaixo da mesa da sala, incluído, dentre eles, os de minha filha.
O bom é que sempre se dá um jeito e foi o que fizemos, eu e meu marido. Usamos de criatividade e rapidez para salvar a noite de quem já sabia que Papai Noel era responsabilidade dos pais. Deu certo, mas eu nunca consegui rir e, no fundo, me conformar com este incidente. Cada vez que o lembro, eu tento pegar os presentes embaixo da mesa para colocar no carro.
Revivendo esta situação, lembrei-me da letra de uma música de Ivan Lins:
Quando a gente veste a alegria
Se entregando ao som do carnaval
Vemos que os sonhos são os mesmos
Na Páscoa, São João ou no Natal...
...Quando desejamos boas festas, na verdade a festa somos nós...
E é essa a mensagem que eu quero passar a vocês hoje: que a festa somos nós sempre, independente da data, independente do que se comemore, porque a maior comemoração deve ser aquela que celebra a vida que cada pessoa é.
Cada pessoa que se levanta todos os dias para escrever mais um capítulo de sua história sem saber como e nem quando será o final. Já entendeu que ninguém sabe e que não compete a ninguém o privilégio da certeza.
Cada pessoa que é guerreira, que tem sonhos e luta por realizá-los. Já entendeu que os sonhos nos mantêm motivados e que enquanto temos motivos, seguimos firmes e em frente.
Se você chegou até aqui na leitura, você é uma destas pessoas.
Você está entre quem é modelo de vida e merecedor de todo respeito.
Eu desejo que você continue assim e torço para que nós possamos passar mais tempo juntos nesta missão onde cada segundo é uma conquista.
Uma missão de vida, de fé e de esperança em um novo tempo de boas novas.
Em minha contabilidade de final de ano, eu sempre me lembro de incluir o lucro de ter conhecido pessoas como você.
Em sua contabilidade, lembre-se de incluir o lucro de ser quem você é.
Orgulhe-se disso, fique com Deus, com o carinho de todos nós e jamais esqueça que no coração da IMF ...
TODO DIA É DIA DE NATAL!
Forte abraço e até a próxima
Gláucia Telles Sales